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O efeito paradoxal da testosterona no tratamento do câncer de próstata

Quando diagnosticado em sua fase inicial, o câncer de próstata pode ser tratado por meio de cirurgia robótica, radioterapia ou ultrassom de alta frequência, havendo grandes chances de cura. No entanto, quando o câncer que se iniciou na próstata alcançou outros órgãos (metástase), não é possível curar a doença. Podemos apenas reduzir a produção de testosterona, diminuindo a velocidade de crescimento do tumor.

Pesquisadores do Duke Cancer Institute identificaram um aspecto  surpreendentemente paradoxal sobre os efeitos da testosterona no tratamento do câncer de próstata: enquanto o bloqueio hormonal interrompe o crescimento do câncer de próstata metastático, a elevação desse mesmo hormônio pode retardar a progressão da doença em outros casos.

Esse fenômeno, denominado Paradoxo da Testosterona, tem impulsionado o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, especialmente para casos avançados de câncer de próstata. Ao explorar os mecanismos biológicos subjacentes e as implicações clínicas dessa descoberta, torna-se possível vislumbrar tratamentos mais eficientes.

Neste artigo do Blog do Dr. Luiz Takano, vamos analisar esta descoberta e destacar como ela representa um significativo avanço na compreensão do papel da testosterona no tratamento do câncer de próstata.

O mecanismo por trás do Paradoxo da Testosterona

As células do câncer de próstata possuem um sistema interno que lhes permite proliferar quando os níveis de testosterona estão muito baixos. No entanto, quando os níveis hormonais são elevados, aproximando-se dos valores normais, essas mesmas células se diferenciam, reduzindo seu potencial de crescimento.

Nova compreensão sobre o tratamento de privação hormonal

Por décadas, o objetivo principal do tratamento do câncer de próstata metastático focou na inibição da produção de testosterona. De fato, esta estratégia proporcionou melhorias substanciais na sobrevida global e qualidade de vida dos pacientes.

No entanto, em casos de doença metastática avançada, muitos pacientes tratados com medicamentos para reduzir os níveis de testosterona progridem para formas mais agressivas da doença.

A pesquisa revelou um mecanismo surpreendentemente simples por trás desse evento: quando os níveis de andrógenos estão baixos, o receptor de andrógenos atua de forma isolada na célula, ativando vias que estimulam o crescimento e a disseminação das células cancerosas.

Por outro lado, com o aumento dos andrógenos, os receptores são forçados a se agrupar em pares, criando uma forma do receptor que interrompe o crescimento tumoral.

Terapia bipolar com andrógenos: uma nova abordagem

Com base nessas descobertas, médicos começaram a implementar uma nova modalidade de tratamento conhecida como Terapia Bipolar com Andrógenos (BAT, do inglês Bi-polar Androgen Therapy). Este método consiste na administração mensal de altas doses de testosterona em pacientes com câncer de próstata em estágio avançado e resistente à terapia convencional. A compreensão deste mecanismo está auxiliando os médicos na seleção de pacientes com maior probabilidade de resposta positiva a esta intervenção.

A complexidade da resposta dos receptores androgênicos, que reagem de maneira distinta conforme os níveis hormonais, demanda uma avaliação individualizada de cada caso. Pesquisadores continuam a investigar os fatores determinantes dessa resposta, com o objetivo de identificar biomarcadores que possam orientar a escolha da terapia mais adequada para cada paciente.

Esta descoberta já está impulsionando o desenvolvimento de novos medicamentos que exploram este mecanismo recém-compreendido.

Caso tenha sido diagnosticado com câncer de próstata, agende uma consulta para ter uma segunda opinião para o câncer de próstata o Dr. Luiz Takano, especialista em urologia minimamente invasiva, para avaliação da forma de tratamento mais adequada para seu caso.

Dr. Luiz Takano